Viajem a Costa Rica

O surfe sempre foi um desafio para mim. Sempre tentei, nunca consegui, até que conheci o Marcelo Boscoli num evento social e fui desafiado: se não ficar em pé na primeira aula eu fecho a escola de surf! Não só fiquei em pé como me apaixonei pelo esporte, por sua dinâmica, contato com a natureza e a alegria de estar descendo uma onda.

Um ano depois de ter começado, um grupo de amigos me chamou para a primeira surf trip de verdade: Costa Rica. E por que não?

Já tinha uma prancha 6' 10" e queria outra mais solta, então comprei uma usada 6' 3" feita para um cara de 90 kg - como peso 85 julguei ser perfeita.

Comprei duas capas e na véspera de embarcar, ao me despedir do Marcelo fui informado que existiam capas duplas, que alem de mais seguras transformariam dois volumes grandes em um so - e só seria cobrado US$ 50 de peso extra e não US 100! Resultado: atochei as duas pranchas na capa da 6' 10" envolvendo a menor numa toalha. Tenho que confessar que ficou um certo arremedo de proteção, mas funcionou.

A viajem começa no aeroporto do Rio pegando um voo regular para São Paulo, onde fizemos o check in para o Panamá pela Coppa - que geralmente lota seus aviões na certeza que um ou outro não aparecerão, ou seja: tem que chegar cedo para garantir lugar. Voamos de SP para o Panamá onde mais uma vez trocamos de avião para San Jose - capital da Costa Rica, fomos recebidos pelo nosso guia que nos levou para a cidade de Jaco, a 1 hora de Van.

Resumo: saí de casa as 7 e cheguei as 23 horas no hotel: cansado, porém animado com as perspectivas de 10 dias de surf.

O guia que o nosso grupo contratou foi o Cássio, um surfista brasileiro que mora 8 meses por ano na Costa Rica recebendo brasileiros, americanos e até japoneses para surfar. Como nosso grupo era composto de 10 pessoas o Cássio reservou uma Van e seu próprio carro - um jeep, para nossa locomoção e das 20 pranchas.

Combinamos de acordar as 6 horas, ou melhor, sermos acordados pelo guia.

Arrumamos tudo e fomos para a padaria tomar um suco de laranja e croissants.

As 7 horas ja estávamos na praia de Esterillos que dista 20 km do centro de Jaco. A praia e grande e com vários picos. A água é inacreditavelmente quente e o sol, logo cedo, já assusta. Por sorte e alguma experiência, tinha comprado um exelente bloqueador solar fator 60 que protegeu meu rosto. Minha lycra de manga comprida me protegia do sol mas me torrava pelo calor da água: que sinuca! O mar estava pequeno mas com uma formação que nunca tinha visto antes: ondas deslizando, quebrando aos poucos e com formação regular, ou seja, todas iguais.

A prancha 6' 3" era pequena para o mar, mas estava louco para testá-la.

Confesso que sofri na remada e manutenção na onda depois do drop - estava crente que ia abafar com a pranchinha, doce ilusão! Estranhei também o fato de nem o Betinho, nem o Rodrigo estarem por perto para me dizer qual onda descer e para que lado ia quebrar. Apanhei muito com minhas escolhas.

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Surfamos ate as 9:30 e fomos para novo cafe da manha. O prato tipico da regiao e o famoso Galo Pinto, que nada mais e que um arroz com feijao com um forte toque de pimenta. Confesso que conversei com o tal do Pinto por umas

24 horas e nunca mais encarei a fera, substituindo o mesmo por mixto quente e sucos nas proximas vezes. Voltamos para o hotel para descansar e acertamos novo encontro para 15 horas, para um segundo tempo de surfe na mesma praia.

O mar estava igual e fomos premiados com um por do sol inacreditavel, com a bola amarela avermelhada entrando dentro da agua ( depois percebi que estavamos no oceano Pacifico e isto la nao e novidade e sim rotina: acontece todos os dias! ).

A cidade de Jaco e muito pequena e se resume a uma rua comprida e cheia de lojas de surf com produtos para la de duvidosos - exceto pelas varias pranchas Wetworks muito bem conceituadas. A comida e padrao mexicano e, me desculpem alguns poucos apaixonados, incomivel. Sobra um ou outro restaurante que serve um peixe com pure. A cerveja, bem, aquilo que chamam de cerveja, acompanha o paladar da comida, salvo por restaurantes para turistas que servem Corona e Heineken a peso de ouro. A boa descoberta foi a cadeia americana Subway que serve sanduiches maravilhosos.

Nos dias que se seguiram repetiu-se o espetaculo do mar de exelente formacao e de uma regularidade inacreditavel, com o tamanho das ondas crescendo dia apos dia. Alternamos os picos de Esterillos e Hermosa, ambas completamente vazias, fundo de areia dura e preta, aguas transparentes e grupos de pelicanos voando ao nosso redor. Minha pranchinha ia melhorando seu desempenho na medida que o mar crescia, mas meu desempenho estava abaixo do normal. No 4o dia de surfe o mar se apresentou na sua melhor forma: ondas com 1,0 ate 1,5m, sem motivos para preocupacao: nao tem quebra coco, so onda deslizando. Ai mesmo que a falta de experiencia para a escolha das ondas fez de mim um excluido no grupo, mas nem por isto deixei de dropar uma maravilhosa e conseguir fazer a troca de base - lip tres vezes na mesma onda. Foi um escandalo!

Conforme haviamos pre combinado, apos este dia maravilhoso, trocamos de cidade rumando para o sul do pais em direcao a cidade de Tamarindo, numa viajem chata de 5 horas de duracao. A cidade propriamente dita nao vi, chegamos num hotel maravilhoso no meio da mata, com iguanas andando nas calcadas, tucanos, macacos, aranhas e alguns escorpioes, tudo isto em frente a uma praia linda, com formacao de ondas mais regular, mais perfeita - formando tubos em todas as ondas - porem sem tamanho nenhum para o surf.

Ficamos todos frustrados!

No dia seguinte, rumamos para Marbella- 1hora e meia de carro - em busca de ondas e encontramos um pico cheio de gente - sei la de onde surgiram! porem com espaco suficiente para nos 10. Foi um luxo, apesar de estarmos novamente com ondas de 0,5 m . A pranchinha rateou mais uma vez e eu comecei a me sentir aleijado. Alguma coisa nao estava certa. Repetimos o programa no dia seguinte mas constatamos que so estavamos aproveitando metade do dia, pois nao dava para surfar de manha, voltar para o almoco e depois voltar para a pico com ondas. Decidimos antecipar nossa volta para Jaco e encaramos mais 5 horas de van.

O swell tinha passado e as ondas, apesar de serem perfeitas, eram pequenas.

Passei a usar minha 6' 10" e descobri que nao estava aleijado, nem tinha esquecido meu surf: estava com o equipamento errado! Como diz o Marcelo: tem que ter o equipamento certo para cada situacao e neste caso um fun board seria perfeito, mas ela se saiu muito bem e me diverti pra valer.

Os 10 dias passaram muito rapido, mas foram suficientes. Eu ja comecava a sentir saudades de casa. Nos despedimos da cidade em grande estilo indo a uma pizzaria e comemorando nossa temporada maravilhosa. Vendi a pranchinha la mesmo, por US$ 200, para nao ter o trabalho de carrega-la. Embalamos tudo e encaramos a maratona de carro, avioes e aeroportos.

Restou da viajem, alem das camisetas, fotos e boas lembrancas a certeza que uma viajem de surf e um programa saudavel e muito alegre - ninguem fica triste surfando 10 dias! Acredito que meu surf melhorou muito e na proxima vez que for comprar uma pranchinha vou mentir o meu peso para o shaper e dizer que peso 110 kg !

 

Pura Vida galera!

Tom

 

Conhecam o trabalho do Instituto da Crianca: www.institutodacrianca.org.br

Bruno, Gabriel e Laís Tedeschi

Irmãos surfando juntos na Pedro Muller Surf Club.

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