1ª Viagem Internacional da Pedro Muller Surf Club

Peru

Os encontros no Pedro Muller Surf Club estão indo além do aperfeiçoamento técnico no Surf de seus integrantes, propiciando o estreitamento dos laços de amizade e a troca de experiências no esporte e de vida.

Algumas viagens pelo litoral do Brasil foram promovidas, mas faltava a Primeira Surf Trip Internacional do Club, que acabou idealizada e orientada pelo técnico e parceiro Marcelo Boscolli, tendo como destino o Peru.

Especificamente o local escolhido foi Punta Hermosa – um vilarejo a 30 minutos de Lima com varios picos ao seu redor. Punta Hermosa é conhecida pela diversidade de ondas, agradando desde os mais experimentados até os iniciantes, com formações bem consistentes.

Neste local quebram ondas o ano inteiro e dificilmente alguém se depara com uma situação de mar flat em todos os picos, podendo a viagem ser programada com boa antecedência.

O grupo embarcou no meio do mês de novembro composto de 4 integrantes do surf club – Tom, Alfredo, José Roberto e Leo, acompanhados do amigo experimentado Raphael e, ainda, de Marcelo Boscolli, conferindo o toque de experiência necessário a aventura, que pode ser entendido como garantia de um melhor proveito e redução de riscos.

Chegamos a Lima num Domingo a noite, alugamos dois carros e com muita facilidade achamos o hotel. Na segunda feira acordamos logo cedo, tomamos café no hotel e fomos atrás das ondas.

Com o dia claro pudemos observar que Punta Hermosa tem uma paisagem bastante árida, construções simples, mas seu encanto está nas ondas que agraciam o local.

Surfamos todos os dias, manhãs e tardes, em torno de 6 horas diárias, restringindo nossas caídas aos picos de Punta Rocas, La Isla, Cerro Azul e Pepinos, que apresentavam melhores condições no período. O site www.peruazul.com mostra um pouco de cada pico, valendo uma navegada.

A temperatura da água estava bastante fria, comum da região, mas nada que pudesse apavorar, sendo recomendável um Long John 3X2 ou mais, dispensável botas e luvas fora do inverno Peruano. A temperatura externa estava agradável, esfriando no periodo da noite e início da manhã.

Com fundo de pedras, embora redondas, toda atenção é pouco, não podendo haver descuido com regras de segurança, principalmente na entrada e saída da água, respeitado isso é só emoção.

A fauna marinha e surpreendente tornando focas, golfinhos, leões marinhos e muitos peixes nossos companheiros constantes, muitas vezes chegando tão proximos que pareciam querer surfar e adicionar brilho ao nosso evento internacional.

O preparo físico foi fundamental, pois as remadas para atingir os picos eram longas e desgastantes, ainda mais surfando um grande número de horas por dia. O material certo também é importantíssimo, pois com a entrada de um bom swell nos últimos dias tivemos que optar por pranchas maiores. Surfamos ondas entre 4 e 8 pés, sendo que melhor ainda foi ter pego, no período, o mar subindo gradativamente, coroando nossos últimos dois dias com ondas de 7 a 8 pés.

A primeira impressão é sempre a mais marcante, logo no primeiro dia, surfamos pela manhã Punta Rocas, ondas quebrando para direita e esquerda. Entramos pela areia e remamos, remamos, remamos e remamos mais um pouco até chegar ao pico. Água muito fria, barulho esquisito no fundo do mar – da agua passando pelas pedras – e ondas simetricamente iguais, triangulares, constantes, de 4 a 5 pés, deslizando e deixando um rastro de espuma branca que marca exatamente o local do surf e o canal de retorno ao pico. Inacreditável! A primeira sensação foi de apreensão, tudo e novo e diferente, mas ao ver o Marcelo e o Raphael, fazendo as manobras mais inacreditáveis, fomos aos poucos nos animando e vendo que não tinha onda buraqueira, muito pelo contrario, vimos que o drop, apesar de grande era tranquilo, depois de uma remada dura, e que não poderia ser melhor para o nosso surf. Neste dia o Alfredinho pegou uma esquerda que cortou o pico de ponta a ponta. Fomos apresentados ali as ondas longas do Peru. Difícil mesmo foi sair do mar e deixar as ondas para trás, mas o cansaço imperava, afinal era o primeiro dia e ainda estávamos fora do ritmo.

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[Pôr do sol no Pacífico]
[ Galera reunida ]
[ Zé Roberto ]
[ Tom, na "sua" Punta Rocas ]
[ Saindo para mais um dia de surf ]
[ Léo checando a previsão do swell ]
[ Visual do Hotel ]
[ Marcelo e Zé Roberto - Punta Rocas ]
[ Visual de Pepinos ]
[ Passando pelo Chile a caminho do Peru ]

 

O vilarejo era dotado de dois restaurantes, elegemos um para o almoço e outro para o jantar. A comida era boa e seguíamos as dicas da internet: nada de beber água, comer frutas ou legumes, nada de gelo e todo cuidado com comidas apimentadas, tudo para evitar contratempos que atrapalhassem o surf. Apesar dos apelos quase ninguém se salvou, mas também não chegou a atrapalhar. As comidas eram boas, a cerveja boa, o serviço atencioso, mas por vezes trocavamos o almoço por lanches comprados num pequeno mercado. A cidade era deserta e nos éramos os únicos consumidores, viramos reis!

Na tarde do primeiro dia, ainda, voltamos a água, desta vez no pico La Isla: ondas de 4 a 5 pés que quebram para a direita. A entrada desta vez foi pelas pedras, gerando escorregões e pequenos arranhões, nada grave. De novo muita remada, água fria e ondas maravilhosas. Para o Peru o mar estava modesto e, assim, só nos estávamos na água. Nesta tarde o Raphael resumiu o mar do Peru: o mais ou menos aqui é muito bom!!!! Jantar e cama antes das 10 horas para poder acordar cedo no dia seguinte.

Na 4a feira, decidimos conhecer outros picos ao sul. Fomos nos dois carros parando pelas praias até chegarmos em Cerro Azul, uma enseada com uma rocha enorme na esquerda e um píer no final com 500 metros separando um do outro, onde encontramos ondas bem pequenas, menor mar da viagem, que entravam pela rocha, quebrando para esquerda, fundo de areia, água fria, vazio, um pouco de vento, mas rolando uma brincadeira.

Em pouco tempo o vento diminuiu, o mar subiu um pouco e o surf ficou bastante divertido. De novo Alfredinho com seu pranchao pegou uma onda de mais de um minuto e voltou andando pela areia. Ficamos muito impressionados. No intervalo do surf conhecemos alguns peruanos que trabalhavam em pequenas construções e jogamos uma pelada na areia dura. Ao final, dois locais nos convidaram a conhecer uma outra praia chamada Pepinos que ficava a 20 minutos. Nos animamos e saimos em busca da novidade. Os tais 20 minutos eram de asfalto seguidos de uma aventura de mais 20 minutos em estrada de terra e pedras cortando uma plantação de pepinos – uma fruta pequena, amarela, com casca fina que tem gosto de melão – que terminava num barranco de 50 metros de altura com o mar lá embaixo. Alguns se aventuraram a descer o barranco, passar por porcos enormes soltos, pedras, mariscos, linhas de pesca de nylon grosso, mas foi proveitoso. Um dos peruanos se mostrou bom surfista dando rasgadas e cut backs em belo estilo.

Voltamos para deixar os peruanos e encontramos Cerro Azul sem vento, ondas lisas pequenas, mas constantes e longas, muito longas, perfeito!!!. Marcelo e Raphael deram um show manobrando interminavelmente nas ondas, indo várias vezes até o pier e voltando a pé. Numa das ondas do Marcelo contamos de dentro da agua, no mínimo, 12 batidas no crítico, espalhando toda água que tinha direito. Um show! Os asseclas iam melhorando seu surf e todos se divertiam muito. Saímos da água quando não tinha mais luz nenhuma. Deixamos alguns regalos para os peruanos e voltamos para nosso vilarejo.

A rotina era então dormir cedo, acordar cedo, surfar das 8 horas até umas 11 horas, almoçar, ver o filme – quem saísse da água primeiro filmava os outros – com direito a comentários e elogios do mestre Marcelo, descansar, surfar de 4 horas as 7 horas, banho, jantar e cama. Não poderia ser melhor: o mar do Peru é uma fábrica de ondas!

No último dia fomos brindados com um “pequeno” swell de 8 pés em Punta Rocas. Todos já estavam acostumados com a formação do mar e ninguem fez feio: todos entraram pelas pedras, buscaram o canal e cada um encarou o marzão de sua maneira e se divertiu muito. Ondas enormes que ficaram gravadas na memória e – melhor impossível – filmadas!!!

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[ Alfredo ]
[ Alfredo ]
[ Tom ]
[ Raphael ]
[ Raphael ]
[ Raphael ]
[ Punta Rocas ]
[ Rafael ]
[ Raphael ]
[ Tom ]
[ Marcelo ]

Estavámos de cabeça feita, era o último dia e fomos a tarde para Lima para comprar recuerdos para as famílias. A tarefa não foi das mais fáceis, uma vez que o comércio não tem muito a oferecer: nem camiseta falando das ondas tinha!!!! Nós contentamos com umas bugingangas, almoçamos num restaurante Chinês muito bom – como tem restaurante Chinês em Lima!!!! – e voltamos para fazer as malas.

Tudo deu certo, ninguém se lesionou, não houve stress, só alegrias. Todo mundo progrediu, se divertiu, refrescou a cabeça, não poderia ter sido melhor. Marcelo e Raphael foram inacreditavelmente atenciosos conosco, vibraram com nossa evolução como se eles fossem calouros também, nossos laços de amizade se estreitaram e ficou um gosto muito bom da viagem.

Dedicamos esta viagem ao parceiro de Surf Club Antonio, um dos incentivadores, e ao mestre Pedro Muller, que com certeza estarão conosco na próxima...quando será mesmo hein?!!!!!

Tom, Jose Roberto, Alfredo e Leo.

Imagens: José Roberto

 

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[ Marcelo ]
[ Léo ]
[ Léo ]
[ Léo ]
[ Zé Roberto ]
[ Zé Roberto ]
[ Zé Roberto ]
[ Tom ]

 

 

 
Bruno, Gabriel e Laís Tedeschi

Irmãos surfando juntos na Pedro Muller Surf Club.

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